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8 de junho de 2016

No momento em que cruzou as barreiras da minha vida, perfurou minha alma.. Não pulou o muro, o pôs a baixo com as próprias mãos, e fez aquela cara que sempre fazia quando sabia que ia te dar uma bronca. Ergueu as mãos e os ombros e franziu a testa como uma criança de cinco anos. A criança de cinco anos mais linda que eu já tinha visto em toda minha ficha ocular até aquele momento. Sempre me acordava quando eu não queria acordar, e dormia demais quando eu queria ver a cor de seus olhos refletindo na luz do entardecer. Sempre presente com suas manias insuportáveis que eu adorava. Com o sorriso de cravo que me fazia acreditar que o amor e a felicidade andam de mãos dadas, como nós toda tarde na volta pra casa. O silêncio era o meu favorito, porque diante de você nenhuma palavra soaria verdadeira, nenhum ruído ou mesmo melodia poderia expressar as coisas sentidas em um olhar, em um toque ou um pulsar. Era quando eu podia olhar e só... olhar. Quando dentro de mim tudo virava festa, os confetes ficavam espalhados por cada pedacinho dos pulmões, coração e vesícula, enquanto os balões duravam tempo até ficarem murchos.. Mas acho que em você murcharam mais depressa, as vezes eu até acho que eles estouraram, deve ter sido o calor, ou quem sabe lá dentro estivesse muito cheio e não tivesse mais lugar para os "meus balões". Prefiro acreditar que tenha sido o calor. Nunca gostei de despedidas ou de lugares vazios, e deve ser por isso que eu até hoje me nego a olhar pra trás, pra dar um aceno de longe, um fechar de olhos encorajador que seja, e na mais impossível das tentativas um abraço e eu até poderia arriscar um "até logo" ou um "fique bem". Mas eu nunca conseguiria, e é por isso que eu prefiro deixar assim, preso nas entrelinhas de tudo que eu faço, de tudo que eu sinto e do que eu tenho medo de sentir e, ver. Guardo a imagem da criança de cinco anos fazendo manha e prefiro que seja essa ao invés de qualquer outra que eu ainda não tive a coragem de ver, e quem sabe nunca tenha. Mas eu sei que é preciso que os capítulos dos livros sejam encerrados, e espero que possa ler e concluir o que chamo de prefácio.

Isadora Markus

Foto: Reprodução

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