você é uma peste, sabia?

6 de maio de 2016

Você é uma peste sabia? E ria, sempre achando graça dos apelidos esdrúxulos que eu punha em ti. Uma peste dessas que você pega e não desapega, peste negra, bubônica, seja lá como quiser chamar. Chega e bagunça tudo com um sorriso nos lábios. Põe a sala a baixo, espalha os copos, deixa o corpo em cima do colchão e esquece de tirar. É, tudo isso a gente releva, esconde embaixo do tapete da sala, aquele usado somente no inverno. Mas, e a bagunça que causa dentro de mim? E essa? essa não da pra esconder, fica visível nos olhos. Logo agora que estava tudo arrumado, calculado, eu te esperava somente nos fins de semana e aí na segunda-feira podia colocar tudo em ordem novamente. Agora não, de segunda a segunda me esforço pra conter a bagunça, os sorrisos fora do lugar, o pensamento fora de hora, o coração fora do eixo. E eis qual questão? Não há, não há de haver. Peste, peste, peste. Repito isso como um mantra, pra você, pra mim, pra nós. E agora, quem vai limpar toda essa poeira, essa sujeira escondida nos vidros? Quem há de querer limpar? Não é na sujeira que a criança acha a graça? Não é toda feita de barro depois de um dia divertido que ela dorme tranquila? Então, quem há de querer limpar? Quem há de querer Omo, Veja e Vanish, eu quero mesmo são as manchas, as marcas e os incômodos. Peste, o que seria de mim sem essa bagunça? Nunca gostei de organização e por mais que eu tente, sempre me aparece uma sujeira tentadora, daquelas que a gente olha e pensa: "vou deixar ali pra me lembrar daqui alguns anos", e é assim que é.

Isadora Markus

Foto: Pinterest

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