a gente só ama uma vez?

13 de maio de 2016

Entre tantos e tantos pensamentos, caí hoje naquele velho e clichê "você só ama uma vez". Eu não tenho ainda uma opinião totalmente formada sobre isso, mas e se eu não souber que amei? E se eu achar que amei e na verdade tudo aquilo foi uma ilusão, um lapso, uma prosa? E se achar que amo e mesmo assim ainda pensar naquele outro sorriso, sem intenção nenhum de querer ter, mas só como uma lembrança gostosa que ainda espeta na barra da calça. Sempre tentei me entender nisso, sair de cima do muro e tomar uma posição, e toda vez que tento só me vem uma resposta na cabeça... Você pode amar várias vezes na vida, e todas vão ser completamente diferentes umas da outras. Tem aquela que você acha que vai morrer, que não vai conseguir respirar, que o seu chão vai desabar e você vai ser abduzida. De certo modo é isso que acontece, até que você aprenda que o mundo mesmo girando em torno do amor tem outros aspectos. Até que um dia você esquece, mas não esse esquecer de trancar numa caixinha e jogar a chave fora, e sim o esquecer de não lembrar sem que você queira. Esquecer é não lembrar, mas ao mesmo tempo isso não te impede de lembrar. Uma bela noite, você sozinha no sofá da sala tomando um vinho, se enchendo de chocolate, resolve lembrar... só por querer bem. Entendem o que quero dizer? As lembranças não precisam ser coisas tristes, elas podem ser bonitas, e digo, elas tem de ser bonitas, porque não vale a pena guardar coisas que te façam derreter. Ok, depois que você esqueceu, você involuntariamente começa a procurar coisas diferentes em pessoas diferentes. Você passa a selecionar, é, isso mesmo, com o passar do tempo você fica mais seletivo. Você risca tudo que não deu certo e vai riscar quem não se adequar. Um dia você acha aquele ser totalmente oposto do que você tinha na sua sala, e pensa "agora sim, vai dar certo", e não, não dá certo. Porque você não quer que ele diga sim pra tudo, você quer que ele discorde e que ele brigue contigo quando tiver que brigar. Você não quer que ele abdique da vida dele pra viver a sua, você quer que ele às vezes não possa te ver porque tem outro compromisso. E aí o coração se esvazia de novo, mas você já nem sofre mais. Tem aquele que você quase ama, que você tem certeza de que amaria e daria certo, mas ele não deixa, ele não quer e então você simplesmente vai embora. Você já não é como antes, não pensa como antes e também não sente como antes, e é aí que você faz a besteira de achar que só se ama uma vez, que você já amou e nunca mais vai se dar a esse luxo. Bobagem. De repente a história muda de contexto e você é quem não está disposta a deixar ele te amar, você não quer se envolver, não quer nem tentar. "Não vai dar certo", "ele não tem nada a ver comigo", como saber a que você é alérgico sem experimentar? Pois é, e caramba, dá certo e eu nem preciso me esforçar. Parece um pout-pourri de tudo aquilo que já amei na minha vida. Não vai ser como o primeiro, porque ele não parece uma criança e não fala comigo daquele jeito. Não chega perto do segundo porque tenho que admitir, acho que ninguém consegue sentir o que sentiu, mesmo no meio do circo que criei. Não será como o terceiro, porque bom, não houve terceiro. Ainda não sei o que vai ser, só sei que é bom, mais calmo que a primeira vez, menos monótono que a segunda, na medida certa. Uma dose por dia, e um pouco mais no final de semana. A única coisa que eu já sei e sinto mais claro na minha cabeça é que a gente pode amar quantas vezes quiser, é só se permitir!

Isadora Markus

Foto: Pinterest

Comentários via Facebook

0 comentários:

Postar um comentário



Isadora Markus • Todos os Direitos Reservados • Copyright © 2016 • Powered by Blogger • Desenvolvimento por