Sobre sonhos

10 de abril de 2014

Era terça-feira, acordei de um sonho tão bom que fiquei com o gosto dele na boca durante o dia todo. Sabe aquele cheiro de canela que você não sabe distinguir de onde vem? O cheiro de bolo quentinho que a casa da vó tem em dia de domingo? Era um gosto parecido com o cheiro. Lembrava um pouco a infância, aquele dia em que aprendi a andar de bicicleta sem as mãos, aquele dia em que consegui subir na minha primeira árvore. Mas, lembra também um pouco a adolescência, aquele dia do primeiro beijo, o primeiro frio na barriga quando ele entrou na sala de aula. É um gosto tão saboroso que não tem gosto de mais nada que exista em todo esse mundo. E é por isso que às vezes eu prefiro os pesadelos, eles deixam gosto amargo, mas que rapidamente é enganado por um doce qualquer. O problema dos sonhos é que eles deixam esse gosto doce que café nenhum é capaz de amargar. E aquilo fica na boca, nos olhos, nos ouvidos, no nariz, mas o problema é quando ele insiste em ficar na cabeça junto com os pensamentos, assim grudadinho feito pé de moleque. E aí de repente no meio do dia atravessando a rua ou abrindo o guarda-chuva você já não sabe mais se aquilo é sonho ou realidade, as coisas vão se misturando tão bem feito algodão doce e quando você tenta separar fica aquela meleca nos dedos. É, por isso eu prefiro os pesadelos. Eles são amargos, mas quando você acorda eles já foram embora.

(Isadora Markus)

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